MINHAS FASES

Preocupações com a morte, crescimento e ausência

sexta-feira, dezembro 19, 2014salua

Não quer se separar da mamãe


 Aos 3 anos e meio, Jan Albert demonstrou sua primeira preocupação com "CRESCER".

Ele não quer crescer, e todas as noites na cama, quando me deito com ele para fazê-lo dormir ele diz:

"Mamãe, não quero crescer, quero ficar pequenininho para sempre."

Pergunto o motivo e ele chora, me responde que crescer é ficar longe de mim e dormir sozinho e ele não quer nada disso. 

Esses dias nós 2 vimos um filme juntos, uma comédia bem leve . Ele me perguntou porque o rapaz do filme dormia sozinho, onde estava a mamãe dele. Respondi que o rapaz era um homem, que havia crescido e que já não dormia mais com a mamãe dele.

A noite, quando fomos dormir, ele me disse chorando de soluçar:

"Mamãe eu vou tentar não crescer, para poder dormir com você para sempre"

Soluçando me abraçou, e eu chorando o abracei, prometi que ele dormiria comigo para sempre, disse  o quanto o amo, o quanto  é importante na minha vida. Dormiu assim, abraçado ao meu pescoço.

Se para nós adultos não é fácil enfrentar o novo, para um bebê de 3 anos é menos ainda. O mundo em que ele vive está, inevitavelmente, mudando, e isso o assusta muito. 
Sei que é fase, que essa vai embora e outras virão, mas é difícil não sentir uma certa tristeza por não poder fazer, absolutamente nada, a não ser deixar o rio seguir seu curso. 

É compreensível que ele tenha medo de ficar longe de mim, pois eu sou o mundo dele desde que foi gerado em meu ventre. Não posso querer que de um dia para outro ele cresça e amadureça. Isso tem que ocorrer gradualmente, e por si só, sem ser forçado. 






Agora a preocupação com a morte e sua noção do que é.

Para ele a morte é algo vivo,  que vem levar a vida e deixar somente o esqueleto vazio para trás (definição dele).

Eu, particularmente, acho que está cedo demais para ele se preocupar com a morte, é precoce.

Pelo que li a respeito, em diversos sites de psicologia infantil e artigos sobre o tema, essa preocupação dá-se quando ocorre a perda de um ente querido próximo à criança. Ele perdeu o avô a 2 anos, ele ainda era muito pequeno. Não sei se isso o afetou, mas ele pergunta com certa frequência sobre o avô e onde ele foi. 

É difícil explicar para uma pessoinha tão pequena o que é a morte e o que acontece depois que morremos. 

Então, eu contei uma história diferente.

Disse a ele que morrer é fazer uma viagem para outros universos, outros planetas. Visitar mundos novos. Como uma viajem intergalática. 
Ele aceitou bem, mas sabe que é uma viagem só de ida, ele já tem essa noção, sabe que não verá o avô. Eu não queria que ele sentisse isso tão cedo, não queria que ele soubesse já como é isso.

Ele também me pergunta antes de dormir, quanto tempo falta para eu morrer, se  vai demorar muito, pois ele não quer ficar sozinho no universo sem mim. Não tem como não chorar ... eu digo a ele que nunca vou morrer, que ficarei com ele para sempre. 

Ele me abraça, chora um pouquinho e me diz o quanto me ama, o quanto gosta de ficar comigo e de sentir minha pele  e dorme .Escrevo essas palavras aos prantos.



CONCEITOS SOBRE A MORTE NAS CRIANÇAS.

KUBLER, (1998) em seu livro abordou os conceitos das crianças diante da morte, para que se tenha consideração em conversar com elas e entender o que elas dizem sobre o assunto.

Até os 3 anos de idade, a criança só se preocupa com a separação. É nesta idade que a criança começa a fazer os primeiros contatos com o mundo, a se preocupar com seu corpo e se sente ameaçada por qualquer coisa que possa destruí-lo. A morte não é um fato permanente para ela.

Depois dos 5 anos de idade, a morte é vista como um esqueleto que vem buscar as pessoas. É atribuída a uma intervenção externa.

Por volta dos 9 anos ou 10 anos, começa a surgir a concepção realista, como um processo biológico permanente.

 http://www.psicologarosangeladuraodefreitas.jex.com.br/psicologa/conceito+sobre+a+morte+nas+criancas

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